Mistério admirável da nossa fé!.
A Igreja professa-o no Símbolo dos Apóstolos (primeira parte) e celebra-o na liturgia sacramental (segunda parte), para que a vida dos fiéis seja configurada com Cristo no Espírito Santo para glória de Deus Pai (terceira parte). Este mistério exige, portanto, que os fiéis nele creiam, o celebrem e dele vivam, numa relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro. Esta relação é a oração.
MAS O QUE É A ORAÇÃO?
A oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o céu, um desejo, um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio da alegria.
A ORAÇÃO COMO DOM DE DEUS.
A oração é a elevação da alma para Deus ou o pedido feito a Deus de bens convenientes.
De onde é que falamos, ao orar?
Das alturas do nosso orgulho e da nossa vontade própria, ou das profundezas dum coração humilde e contrito?
A resposta para tudo isso se resumi aqui: “Aquele que se humilha é que é elevado. A humildade é o fundamento da oração”.
Não sabemos o que havemos de pedir para rezarmos como deve ser (Rm 8, 26). A humildade é a disposição necessária para receber gratuitamente o dom da oração.
Se conhecesses o dom de Deus!
(Jo 4, 10). A maravilha da oração revela-se precisamente, à beira dos poços aonde vamos buscar a nossa água. Aí é que Cristo vem ao encontro de todo o ser humano; Ele antecipa-se a procurar-nos e é Ele que nos pede de beber. “Jesus tem sede, e o seu pedido brota das profundezas de Deus que nos deseja”. A oração é o encontro da sede de Deus com a nossa sede. Deus tem sede de que nós e nós temos sede d'Ele porque Ele habita em nós.
“Tu é que Lhe terias pedido e Ele te daria água viva” (Jo 4, 10).
Paradoxalmente, a nossa oração de súplica é uma resposta. Resposta, ao lamento do Deus vivo.
“Abandonou-Me a Mim, nascente de águas vivas, e foi escavar cisternas fendidas (Jr 2, 13); resposta de fé à promessa gratuita da salvação (6); resposta de amor à sede do Filho Único (7).”
A ORAÇÃO COMO ALIANÇA.
De onde procede a oração do homem? Seja qual for à linguagem da oração (gestos e palavras), é o homem todo que ora. Mas para designar o lugar de onde brota a oração, as Escrituras falam às vezes da alma ou do espírito ou, com mais frequência, do coração (mais de mil vezes). É o coração que ora. Se ele estiver longe de Deus, a expressão da oração será vã.
O coração é a morada onde estou, onde habito (e segundo a expressão semítica ou bíblica, aonde eu “desço”). É o nosso centro oculto, inapreensível, quer para a nossa razão quer para a dos outros: só o Espírito de Deus é que o pode sondar e conhecer. E o lugar da decisão, no mais profundo das nossas tendências psíquicas. É a sede da verdade, onde escolhemos a vida ou a morte. É o lugar do encontro, já que, à imagem de Deus, vivemos em relação: é o lugar da aliança.
A oração cristã é uma relação de aliança entre Deus e o homem em Cristo. É ação de Deus e do homem; jorra do Espírito Santo e de nós, toda orientada para o Pai, em união com a vontade humana do Filho de Deus feito homem.
A ORAÇÃO COMO COMUNHÃO.
Na Nova Aliança, a oração é a relação viva dos filhos de Deus com o seu Pai infinitamente bom, com o seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo. A graça do Reino é “a união de toda a Santíssima Trindade com a totalidade do espírito”. Assim, a vida de oração consiste em estar habitualmente na presença do Deus três vezes santo e em comunhão com Ele. Esta comunhão de vida é sempre possível porque, pelo Batismo, nos tornámos um só com Cristo. A oração é cristã na medida em que for comunhão com Cristo, dilatando-se na Igreja que é o seu corpo. As suas dimensões são as do amor de Cristo
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